A importância da poupança, da redução do endividamento, do controlo da dívida do estado.
terça-feira, março 30, 2010
terça-feira, março 23, 2010
Confessions of a Value Investor - A Few Lessons in Behavioral Finance By Sanjay Bakshi
Uma excelente apresentação sobre Behavioral Finance, um ramo da economia que vem ganhando cada vez maior destaque, e que neste caso específico em que se debruça sobre o campo do investimento, procura demonstrar que o típico investidor é um ser não muito racional mas muito mais racionalizante, colocando em causa a teoria dos mercados eficientes e os seus pressupostos. Sem dúvida um tema muito relevante para a estratégia de qualquer investidor em valor.
Apresentação
Apresentação
segunda-feira, março 22, 2010
A Poupança
Nunca, como no passado recente, se discutiu tanto acerca da necessidade de poupar. Na verdade, a recente crise financeira e consequente grave recessão económica, resultante de muitos excessos dos mercados de crédito, veio contribuir para alertar os agentes económicos para uma função essencial que cumpre a todos salvaguardar: a Poupança. Velhos ditados dos nossos pais e avós provam que a sabedoria popular é sábia e realista neste aspecto da vida quotidiana: “Quem poupa, sempre tem.”, “Quem poupa o que tem, não mendiga o de ninguém.”, “No poupar é que está o ganho.”
Vários factores, exacerbados pela recente crise, contribuíram para alertar as sociedades para este desígnio cada vez mais fundamental. Desde logo, a necessidade de reduzirmos, a curto prazo, o elevado nível de endividamento (superior ao rendimento disponível, para as famílias) que havíamos incorrido recentemente como consequência de um clima geral económico estável, taxas de juro extremamente baixas e facilidades tremendas na contratação de créditos. É importante, agora, que as famílias recomponham os seus “balanços” familiares, readequando o nível de activos e proveitos que possuem para com as dívidas e despesas que suportam. Para tal deverão contribuir as condições macroeconómicas actuais, de baixa inflação e de juros reduzidos, que permitirão uma maior folga dos orçamentos familiares; as transferências do sector público para as famílias, relacionadas com o aumento automático das prestações de subsídios de desemprego e outras prestações de natureza social; também o regresso obrigatório de algum bom senso por parte dos consumidores que se estão a tornar muito mais ponderados nos seus actos de consumo, particularmente de bens de consumo duradouro; e a fundamental introdução de novas regras no sistema financeiro de forma a evitar que a ganância de alguns coloque em perigo a sustentabilidade das poupanças de todos. De acordo com o Banco de Portugal no seu Boletim Económico de Outono 2009, o aumento de algumas componentes relevantes do rendimento disponível “traduziu-se numa significativa subida da taxa de poupança em 2009, reforçando o seu ligeiro aumento verificado em 2008 e contrariando a tendência de descida ao longo da última década”.

A proporção da poupança no rendimento disponível das famílias aumentou significativamente, passando de 6,2%, em 2007, para 8,6% no final do primeiro semestre de 2009.
Fonte: INE e Banco de Portugal
A importância da Poupança é também justificada pela cada vez mais certa decadência do sistema de segurança social a longo prazo, em virtude da alteração da estrutura da pirâmide etária (aumento da idade média de vida, diminuição da natalidade e menor número de pessoas em idade activa); dos elevados défices incorridos por sucessivos governos, e agravados igualmente pela recente crise, que contribuíram para o aumento galopante da dívida do estado (estimada em 86% do PIB para o corrente ano), e que se traduzirá necessariamente e a prazo, num menor grau de liberdade por parte do orçamento do estado para suportar aumentos de prestações sociais; a fraca competitividade da economia nacional relativamente aos principais parceiros comerciais europeus mas também em relação às grandes economias emergentes, e que são concorrentes directos de muitas das nossas exportações, limita enormemente o potencial da economia e, como consequência, da saúde das contas nacionais, das famílias e do estado. Estes factores vão obrigar os contribuintes a pensarem, cada vez mais seriamente, em programas de poupança individual que compensem a já quase certa redução violenta das prestações de reforma. As reformas do sistema são recorrentes, e de acordo com estudos relativos à mais recente reforma, um cidadão que se reforme em 2050 pode ter direito a uma reforma equivalente a menos de 50% do seu ordenado.
A Poupança é importante hoje, como sempre foi, também porque faz sentido. Porque as circunstâncias da vida poderão exigir algum esforço financeiro momentâneo que não poderá ser correspondido se não constituirmos uma Poupança. Ou porque, no futuro, podemos desejar comprar ou trocar de casa, dar a oportunidade aos filhos de receberem uma boa educação ou querer manter o nosso nível de vida depois da reforma. É através da poupança que nos preparamos para enfrentar despesas futuras, previstas ou imprevistas. É um instrumento financeiro indispensável e que permite, se houver disciplina, alcançar os seus fins. No entanto, a poupança implica um plano de longo prazo para ser bem sucedido. Devemos contar com um período de tempo razoável para termos maior probabilidade de concretizar os objectivos.
Existem várias formas de poupar, mas o mais importante será perceber desde logo quais são os objectivos a cumprir a prazo, entender quanto se consegue poupar periodicamente, e ajuizar qual o melhor plano para a aplicação das poupanças, ou seja, qual a melhor combinação rentabilidade-risco que melhor se adequa ao perfil de investimento. Quanto menor o prazo para o objectivo em questão, menor o risco que se deve incorrer em termos do veículo de investimento. No entanto, quanto maior o prazo, maior a probabilidade de conseguir boas rentabilidades para as poupanças, se optar por opções de investimento mais rentáveis a prazo, como por exemplo uma carteira diversificada de acções, cuja performance a prazo em média ultrapassa todos os restantes instrumentos financeiros, e por uma filosofia de investimento disciplinada que limite os riscos, como o Investimento em Valor. Depois, é uma questão de aproveitar o potencial da capitalização de juros no longo prazo, que foi apelidada por Albert Einstein como sendo a força mais poderosa do Universo. Em baixo deixamos um pequeno quadro demonstrativo da relevância da escolha de um bom meio de investimento que seja capaz de salvaguardar, a prazo, uma boa taxa de retorno anual.

Iniciando com uma poupança de 50.000 euros, verificamos que, por exemplo, quem conseguir capitalizar o seu dinheiro a uma taxa de 15%/ano acaba no 10º ano com 184.688,51 euros, o que se pode comparar com um valor final de 60.949,72 euros para quem conseguir uma rentabilidade média anual de 2%/ano. Ou seja, uma rentabilidade mais de 12 vezes superior. Uma diferença significativa.
Disclaimer: Este comentário consiste unicamente numa opinião do autor e nunca uma recomendação de compra ou venda. As compras e as vendas são da responsabilidade do investidor, bem como os lucros ou as perdas daí resultantes. Em caso de dúvida, o investidor deverá procurar contactar um intermediário financeiro, a Euronext ou a CMVM.
Hugo Roque
Vários factores, exacerbados pela recente crise, contribuíram para alertar as sociedades para este desígnio cada vez mais fundamental. Desde logo, a necessidade de reduzirmos, a curto prazo, o elevado nível de endividamento (superior ao rendimento disponível, para as famílias) que havíamos incorrido recentemente como consequência de um clima geral económico estável, taxas de juro extremamente baixas e facilidades tremendas na contratação de créditos. É importante, agora, que as famílias recomponham os seus “balanços” familiares, readequando o nível de activos e proveitos que possuem para com as dívidas e despesas que suportam. Para tal deverão contribuir as condições macroeconómicas actuais, de baixa inflação e de juros reduzidos, que permitirão uma maior folga dos orçamentos familiares; as transferências do sector público para as famílias, relacionadas com o aumento automático das prestações de subsídios de desemprego e outras prestações de natureza social; também o regresso obrigatório de algum bom senso por parte dos consumidores que se estão a tornar muito mais ponderados nos seus actos de consumo, particularmente de bens de consumo duradouro; e a fundamental introdução de novas regras no sistema financeiro de forma a evitar que a ganância de alguns coloque em perigo a sustentabilidade das poupanças de todos. De acordo com o Banco de Portugal no seu Boletim Económico de Outono 2009, o aumento de algumas componentes relevantes do rendimento disponível “traduziu-se numa significativa subida da taxa de poupança em 2009, reforçando o seu ligeiro aumento verificado em 2008 e contrariando a tendência de descida ao longo da última década”.

A proporção da poupança no rendimento disponível das famílias aumentou significativamente, passando de 6,2%, em 2007, para 8,6% no final do primeiro semestre de 2009.
Fonte: INE e Banco de Portugal
A importância da Poupança é também justificada pela cada vez mais certa decadência do sistema de segurança social a longo prazo, em virtude da alteração da estrutura da pirâmide etária (aumento da idade média de vida, diminuição da natalidade e menor número de pessoas em idade activa); dos elevados défices incorridos por sucessivos governos, e agravados igualmente pela recente crise, que contribuíram para o aumento galopante da dívida do estado (estimada em 86% do PIB para o corrente ano), e que se traduzirá necessariamente e a prazo, num menor grau de liberdade por parte do orçamento do estado para suportar aumentos de prestações sociais; a fraca competitividade da economia nacional relativamente aos principais parceiros comerciais europeus mas também em relação às grandes economias emergentes, e que são concorrentes directos de muitas das nossas exportações, limita enormemente o potencial da economia e, como consequência, da saúde das contas nacionais, das famílias e do estado. Estes factores vão obrigar os contribuintes a pensarem, cada vez mais seriamente, em programas de poupança individual que compensem a já quase certa redução violenta das prestações de reforma. As reformas do sistema são recorrentes, e de acordo com estudos relativos à mais recente reforma, um cidadão que se reforme em 2050 pode ter direito a uma reforma equivalente a menos de 50% do seu ordenado.
A Poupança é importante hoje, como sempre foi, também porque faz sentido. Porque as circunstâncias da vida poderão exigir algum esforço financeiro momentâneo que não poderá ser correspondido se não constituirmos uma Poupança. Ou porque, no futuro, podemos desejar comprar ou trocar de casa, dar a oportunidade aos filhos de receberem uma boa educação ou querer manter o nosso nível de vida depois da reforma. É através da poupança que nos preparamos para enfrentar despesas futuras, previstas ou imprevistas. É um instrumento financeiro indispensável e que permite, se houver disciplina, alcançar os seus fins. No entanto, a poupança implica um plano de longo prazo para ser bem sucedido. Devemos contar com um período de tempo razoável para termos maior probabilidade de concretizar os objectivos.
Existem várias formas de poupar, mas o mais importante será perceber desde logo quais são os objectivos a cumprir a prazo, entender quanto se consegue poupar periodicamente, e ajuizar qual o melhor plano para a aplicação das poupanças, ou seja, qual a melhor combinação rentabilidade-risco que melhor se adequa ao perfil de investimento. Quanto menor o prazo para o objectivo em questão, menor o risco que se deve incorrer em termos do veículo de investimento. No entanto, quanto maior o prazo, maior a probabilidade de conseguir boas rentabilidades para as poupanças, se optar por opções de investimento mais rentáveis a prazo, como por exemplo uma carteira diversificada de acções, cuja performance a prazo em média ultrapassa todos os restantes instrumentos financeiros, e por uma filosofia de investimento disciplinada que limite os riscos, como o Investimento em Valor. Depois, é uma questão de aproveitar o potencial da capitalização de juros no longo prazo, que foi apelidada por Albert Einstein como sendo a força mais poderosa do Universo. Em baixo deixamos um pequeno quadro demonstrativo da relevância da escolha de um bom meio de investimento que seja capaz de salvaguardar, a prazo, uma boa taxa de retorno anual.

Iniciando com uma poupança de 50.000 euros, verificamos que, por exemplo, quem conseguir capitalizar o seu dinheiro a uma taxa de 15%/ano acaba no 10º ano com 184.688,51 euros, o que se pode comparar com um valor final de 60.949,72 euros para quem conseguir uma rentabilidade média anual de 2%/ano. Ou seja, uma rentabilidade mais de 12 vezes superior. Uma diferença significativa.
Disclaimer: Este comentário consiste unicamente numa opinião do autor e nunca uma recomendação de compra ou venda. As compras e as vendas são da responsabilidade do investidor, bem como os lucros ou as perdas daí resultantes. Em caso de dúvida, o investidor deverá procurar contactar um intermediário financeiro, a Euronext ou a CMVM.
Hugo Roque
sexta-feira, março 05, 2010
EDP
A EDP - Energias de Portugal, SA gera, abastece e distribui electricidade e gás em Portugal e Espanha. A empresa, através de subsidiárias, possui igualmente negócios de distribuição, produção e fornecimento de energia eléctrica no Brasil e operações de geração de energia eólica em, entre outros países, Espanha, Portugal, França, Bélgica, Estados Unidos.
A empresa apresentou os seus resultados relativos ao ano de 2009 na passada Quinta-Feira, dia 4 de Março. A Energias de Portugal anunciou que os resultados líquidos do ano passado desceram 6,2% para 1,024 mil milhões de euros. A queda dos lucros é explicada sobretudo pelo facto de em 2008 a companhia liderada por António Mexia ter obtido um ganho de capital não recorrente de 405 milhões de euros resultante da dispersão da EDP Renováveis em bolsa nesse ano. Em termos recorrentes, ou seja, excluindo ganhos os perdas extraordinários, os lucros de 2008 foram de 925 milhões de euros, pelo que no ano passado foi a primeira vez que a eléctrica obteve lucros recorrentes acima de mil milhões de euros, representando, deste modo, uma subida de 10,7%, com a empresa a beneficiar de melhorias operacionais dos seus negócios, menores custos com pagamento de juros e perdas menores em participações financeiras.
O EBITDA em termos recorrentes da EDP, ou seja, os resultados operacionais (antes de juros, impostos e amortizações), subiu 13% para 3,361 mil milhões de euros. A empresa destacou que no quarto trimestre o aumento do EBITDA foi de 19%, sendo que as actividades liberalizadas na Península Ibérica e o negócio de energia eólica foram os que mais contribuíram para a melhoria operacional no ano passado.
A actividade da EDP, em termos de resultados EBITDA, encontra-se dispersa da seguinte forma: 19% em actividades liberalizadas de energia na península ibérica; 16% no Brasil através da sua participada Energia do Brasil; 16% relativos às operações de energia eólica; 25% em actividades reguladas de energia na península ibéria; e 24% em contractos de geração de energia de longo prazo na península ibérica. Ou seja, um total de 81% dos resultados da EDP deriva de actividades reguladas, o que se traduz num carácter muito estável e previsível da sua actividade. Mais de 50% dos resultados da EDP já têm origem fora de Portugal providenciando diversificação e flexibilidade operacional à empresa.
Em termos de perspectivas de crescimento, a EDP concentra os seus investimentos na área das energias renováveis através da sua participada, a EDP Renováveis, onde detém uma posição de 75%, e que é a 4ª empresa mundial do sector. Em 2009 a empresa investiu 3,285 mil milhões de euros, dos quais 2,556 milhões foram para expansão das actividades correntes, sendo o restante investimento de manutenção. Do total dos investimentos de expansão, cerca de 83% foram direccionados para a área das renováveis, demonstrando o comprometimento da empresa para investir nesta área, nomeadamente para expansão da capacidade de produção de energia eólica (nos Estados Unidos, Espanha e na restante Europa) e de energia hídrica através da construção e expansão de barragens em Portugal. Estes investimentos possuem ainda a vantagem de se enquadrarem em áreas que têm sido e vão continuar a ser bastante apoiadas por muitos governos de países desenvolvidos. Até 2011 a EDP promete investir cerca de 3 mil milhões de euros por ano com o objectivo de reforçar decisivamente as suas posições nos mercados onde se encontra instalada.
Estes investimentos têm contribuído para o aumento da dívida de empresa que em 2009 se encontrava nos 14 mil milhões de euros tendo subido 100 milhões em relação a 2008. Apesar do investidor em valor ser avesso a elevados níveis de endividamento, e necessário ressalvar que, no caso da EDP, a empresa possui negócios geradores de cash flows regulares e de elevada previsibilidade pelo que o nível de risco de incumprimento do serviço da dívida é mais baixo, sendo traduzido por um rating de risco de crédito, por parte das principais agências de rating, de A-. A empresa possui dinheiro em caixa e equivalentes no balanço da ordem dos 2,3 mil milhões de euros e linhas de crédito também no mesmo montante. As necessidades de refinanciamento para os próximos 2 anos são mínimas, pelo que a empresa se encontra numa situação financeira bastante confortável para poder avançar com os investimentos que tem planeados.
A empresa propôs um dividendo relativo aos resultados de 2009 de €0,155 por acção o que representa um aumento de cerca de 11% em relação aos €0,14 que foram distribuídos no ano anterior. Este valor traduz-se numa taxa de dividendo bruta de cerca de 5,5%, consideravelmente superior a qualquer remuneração de qualquer depósito a prazo disponível no mercado, sujeito à mesma taxa de retenção de imposto (20%) e com o potencial de ser aumentado no futuro caso os investimentos da EDP se traduzam em maiores lucros o que pode conduzir, também, a uma valorização do capital investido por via da apreciação do valor das acções.
A cotação da EDP foi afectada na últimas semanas pelos receios que a crise da Grécia, relacionada com o elevado nível de endividamento no país, se pudesse alastrar para Portugal, e ainda pelo facto de a Iberdrola, um dos maiores accionistas individuais da EDP, ter vendido 2,7% da empresa. A cotação da empresa que se encontrava confortavelmente acima dos 3 euros caiu, chegando a fazer um mínimo em fecho de cerca de €2,68, representando um PER (a relação entre o preço a que a empresa está a cotar e os lucros que gera) de 10 vezes os resultados estimados para 2010. Por um lado, os mercados já começam a distinguir um pouco mais a situação da Grécia da situação de Portugal e o Plano de Estabilidade e Crescimento que deverá ser apresentado em breve pelo governo português deve conseguir apontar um rumo para a consolidação orçamental até 2013 e convencer as autoridades europeias. Por outro lado, a Iberdrola prontamente clarificou que a sua posição actual na EDP (6,8%) é para manter, pelo que não serão de esperar mais alterações relevantes, a curto prazo, na estrutura accionista da EDP que conta, para além da Iberdrola, com o Estado (20,49%), a Caixa Geral de Depósitos (5,24%), a Caja de Ahorros de Asturias (5,01%) e a José de Mello - SGPS (4,82%), como maiores accionistas.
Para o investidor em valor que está atento às oportunidades que o mercado lhe proporciona, esta é uma boa ocasião para se adquirir um óptimo negócio, com uma gestão bastante competente, a um preço bastante razoável, que proporciona um rendimento bastante atractivo e com boas possibilidades de valorização. A EDP é a empresa de referência nacional e tendo sido distinguida, ainda na semana passada, como a marca portuguesa mais valiosa. Segundo o estudo “Top Portuguese League Table”, da Brand Finance, a marca EDP foi avaliada em cerca de 3,3 mil milhões de euros. No ranking das 500 maiores marcas do mundo a EDP aparece na posição 192º, sendo a marca portuguesa melhor posicionada. Uma excelente marca e um excelente investimento.
Disclaimer: Este comentário consiste unicamente numa opinião do autor e nunca uma recomendação de compra ou venda. As compras e as vendas são da responsabilidade do investidor, bem como os lucros ou as perdas daí resultantes. O Autor pode ter, e provavelmente tem, posições nos títulos referidos. Em caso de dúvida, o investidor deverá procurar contactar um intermediário financeiro, a Euronext ou a CMVM.
Hugo Roque
A empresa apresentou os seus resultados relativos ao ano de 2009 na passada Quinta-Feira, dia 4 de Março. A Energias de Portugal anunciou que os resultados líquidos do ano passado desceram 6,2% para 1,024 mil milhões de euros. A queda dos lucros é explicada sobretudo pelo facto de em 2008 a companhia liderada por António Mexia ter obtido um ganho de capital não recorrente de 405 milhões de euros resultante da dispersão da EDP Renováveis em bolsa nesse ano. Em termos recorrentes, ou seja, excluindo ganhos os perdas extraordinários, os lucros de 2008 foram de 925 milhões de euros, pelo que no ano passado foi a primeira vez que a eléctrica obteve lucros recorrentes acima de mil milhões de euros, representando, deste modo, uma subida de 10,7%, com a empresa a beneficiar de melhorias operacionais dos seus negócios, menores custos com pagamento de juros e perdas menores em participações financeiras.
O EBITDA em termos recorrentes da EDP, ou seja, os resultados operacionais (antes de juros, impostos e amortizações), subiu 13% para 3,361 mil milhões de euros. A empresa destacou que no quarto trimestre o aumento do EBITDA foi de 19%, sendo que as actividades liberalizadas na Península Ibérica e o negócio de energia eólica foram os que mais contribuíram para a melhoria operacional no ano passado.
A actividade da EDP, em termos de resultados EBITDA, encontra-se dispersa da seguinte forma: 19% em actividades liberalizadas de energia na península ibérica; 16% no Brasil através da sua participada Energia do Brasil; 16% relativos às operações de energia eólica; 25% em actividades reguladas de energia na península ibéria; e 24% em contractos de geração de energia de longo prazo na península ibérica. Ou seja, um total de 81% dos resultados da EDP deriva de actividades reguladas, o que se traduz num carácter muito estável e previsível da sua actividade. Mais de 50% dos resultados da EDP já têm origem fora de Portugal providenciando diversificação e flexibilidade operacional à empresa.
Em termos de perspectivas de crescimento, a EDP concentra os seus investimentos na área das energias renováveis através da sua participada, a EDP Renováveis, onde detém uma posição de 75%, e que é a 4ª empresa mundial do sector. Em 2009 a empresa investiu 3,285 mil milhões de euros, dos quais 2,556 milhões foram para expansão das actividades correntes, sendo o restante investimento de manutenção. Do total dos investimentos de expansão, cerca de 83% foram direccionados para a área das renováveis, demonstrando o comprometimento da empresa para investir nesta área, nomeadamente para expansão da capacidade de produção de energia eólica (nos Estados Unidos, Espanha e na restante Europa) e de energia hídrica através da construção e expansão de barragens em Portugal. Estes investimentos possuem ainda a vantagem de se enquadrarem em áreas que têm sido e vão continuar a ser bastante apoiadas por muitos governos de países desenvolvidos. Até 2011 a EDP promete investir cerca de 3 mil milhões de euros por ano com o objectivo de reforçar decisivamente as suas posições nos mercados onde se encontra instalada.
Estes investimentos têm contribuído para o aumento da dívida de empresa que em 2009 se encontrava nos 14 mil milhões de euros tendo subido 100 milhões em relação a 2008. Apesar do investidor em valor ser avesso a elevados níveis de endividamento, e necessário ressalvar que, no caso da EDP, a empresa possui negócios geradores de cash flows regulares e de elevada previsibilidade pelo que o nível de risco de incumprimento do serviço da dívida é mais baixo, sendo traduzido por um rating de risco de crédito, por parte das principais agências de rating, de A-. A empresa possui dinheiro em caixa e equivalentes no balanço da ordem dos 2,3 mil milhões de euros e linhas de crédito também no mesmo montante. As necessidades de refinanciamento para os próximos 2 anos são mínimas, pelo que a empresa se encontra numa situação financeira bastante confortável para poder avançar com os investimentos que tem planeados.
A empresa propôs um dividendo relativo aos resultados de 2009 de €0,155 por acção o que representa um aumento de cerca de 11% em relação aos €0,14 que foram distribuídos no ano anterior. Este valor traduz-se numa taxa de dividendo bruta de cerca de 5,5%, consideravelmente superior a qualquer remuneração de qualquer depósito a prazo disponível no mercado, sujeito à mesma taxa de retenção de imposto (20%) e com o potencial de ser aumentado no futuro caso os investimentos da EDP se traduzam em maiores lucros o que pode conduzir, também, a uma valorização do capital investido por via da apreciação do valor das acções.
A cotação da EDP foi afectada na últimas semanas pelos receios que a crise da Grécia, relacionada com o elevado nível de endividamento no país, se pudesse alastrar para Portugal, e ainda pelo facto de a Iberdrola, um dos maiores accionistas individuais da EDP, ter vendido 2,7% da empresa. A cotação da empresa que se encontrava confortavelmente acima dos 3 euros caiu, chegando a fazer um mínimo em fecho de cerca de €2,68, representando um PER (a relação entre o preço a que a empresa está a cotar e os lucros que gera) de 10 vezes os resultados estimados para 2010. Por um lado, os mercados já começam a distinguir um pouco mais a situação da Grécia da situação de Portugal e o Plano de Estabilidade e Crescimento que deverá ser apresentado em breve pelo governo português deve conseguir apontar um rumo para a consolidação orçamental até 2013 e convencer as autoridades europeias. Por outro lado, a Iberdrola prontamente clarificou que a sua posição actual na EDP (6,8%) é para manter, pelo que não serão de esperar mais alterações relevantes, a curto prazo, na estrutura accionista da EDP que conta, para além da Iberdrola, com o Estado (20,49%), a Caixa Geral de Depósitos (5,24%), a Caja de Ahorros de Asturias (5,01%) e a José de Mello - SGPS (4,82%), como maiores accionistas.
Para o investidor em valor que está atento às oportunidades que o mercado lhe proporciona, esta é uma boa ocasião para se adquirir um óptimo negócio, com uma gestão bastante competente, a um preço bastante razoável, que proporciona um rendimento bastante atractivo e com boas possibilidades de valorização. A EDP é a empresa de referência nacional e tendo sido distinguida, ainda na semana passada, como a marca portuguesa mais valiosa. Segundo o estudo “Top Portuguese League Table”, da Brand Finance, a marca EDP foi avaliada em cerca de 3,3 mil milhões de euros. No ranking das 500 maiores marcas do mundo a EDP aparece na posição 192º, sendo a marca portuguesa melhor posicionada. Uma excelente marca e um excelente investimento.
Disclaimer: Este comentário consiste unicamente numa opinião do autor e nunca uma recomendação de compra ou venda. As compras e as vendas são da responsabilidade do investidor, bem como os lucros ou as perdas daí resultantes. O Autor pode ter, e provavelmente tem, posições nos títulos referidos. Em caso de dúvida, o investidor deverá procurar contactar um intermediário financeiro, a Euronext ou a CMVM.
Hugo Roque
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Carta Anual de Warren Buffett aos Accionistas
Todos os anos Warren Buffett publica a sua tão aguardada carta aos accionistas da Berkshire Hathaway onde faz considerações sobre os negócios da sua empresa, sobre a sua filosofia de investimento, sobre a economia em geral e sobre a sociedade e a política do seu país e do mundo. A não perder.
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Para quem procura cartas de anos anteriores pode encontrá-las também no site da Berkshire Hathaway, aqui.
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segunda-feira, fevereiro 22, 2010
Frases do Investimento em Valor
O Investimento em Valor é uma filosofia de investimento que assenta sobretudo na racionalidade e no senso comum: devemos comprar barato e vender caro. Alguns dos melhores investidores em Valor, proferiram, ao longo da sua carreira, frases que são hoje autênticos guias de investimento:
“Um investimento é uma operação que, após avaliação cuidada, garante a segurança do capital e um retorno satisfatório. Operações que não cumpram estes requisitos são especulativas.” - Benjamin Graham
Há 76 anos, em 1934, foi publicado o livro de referência para a filosofia de Investimento em Valor: “Security Analysis”. Na ressaca da grande depressão dos anos 30, Benjamin Graham e o seu colega David Dodd lançaram as fundações de uma nova postura de investimento, baseada na análise, na protecção do capital, na procura de bons retornos a prazo e independente do comportamento dos mercados. Qualquer comportamento que fuja destas matrizes deverá ser considerado especulativo e estará sujeito aos movimentos imprevisíveis dos mercados.
“Confrontado com o desafio de divulgar o segredo do investimento seguro em três palavras, arrisco o lema: Margem de Segurança.” - Benjamin Graham
Em 1949, foi publicado “The Intelligent Investor”, também de Benjamin Graham, desta vez destinado ao investidor particular e que captaria a atenção de um jovem ávido de sabedoria de investimento: Warren Buffett, o norte-americano considerado o melhor investidor de todos os tempos. Este viria a frequentar o curso que Graham leccionava na Columbia University e a trabalhar para ele durante alguns anos. A filosofia de Investimento em Valor ficou para sempre marcada no ADN de Buffett que, ainda hoje, considera “The Intelligent Investor” como a “Bíblia” do Investimento em Valor. Destaque especial merece o Capítulo 8, onde Graham descreve a ideia de Margem de Segurança: todo o investidor, tendo presente o objectivo da preservação do capital, deve procurar em todos os seus investimentos, uma diferença razoável entre o valor que atribui ao negócio e o preço a que o pode adquirir, de forma a proteger-se caso ocorra algum acontecimento desfavorável e a potenciar o seu investimento caso a sua análise se confirme. Nas palavras de Buffett: “Nunca dependa de uma boa venda. Obtenha um preço de compra tão atractivo que até uma venda medíocre produza bons resultados”.
“No curto prazo, os mercados funcionam com uma máquina de contagem de votos, mas no longo prazo os mercados comportam-se como uma balança.” - Benjamin Graham
Segundo Graham, no curto prazo os mercados são influenciados por muitos factores pontuais tais como: resultados trimestrais das empresas, dados macroeconómicos ou acontecimentos políticos, que causam grandes variações nos preços das acções que, muitas vezes, não se justificam. É normal que os mercados reajam exageradamente aos factores acima descritos. Cabe ao Investidor em Valor, no entanto, ponderar, com base na sua análise, se as consequentes variações são justificadas ou não. A prazo, o Investidor em Valor acredita que os mercados acabarão por compreender o verdadeiro valor das empresas e esse acabará por transparecer nas respectivas cotações dos negócios em que investe.
“Tenha medo quando os outros são gananciosos e seja ganancioso quando os outros têm medo.” - Warren Buffett
A filosofia de Investimento em Valor vai contra muitas ideias pré-concebidas que as pessoas têm acerca da Bolsa. Em primeiro lugar, como já falámos, não se trata de um jogo, mas sim de um investimento. Depois, o objectivo não é seguir tendências de mercado. Antes pelo contrário. É muito mais fácil encontrar valor, ou seja, um investimento com potencial de valorização e barato, quando o pânico está instalado e todos estão a vender independentemente do valor real dos activos que estão a liquidar. Pelo contrário, quando os mercados ficam demasiado eufóricos e a única tendência que parece haver é de subida, é a altura de ficar preocupado e de pensar em fechar posições. Trata-se de uma postura contra-tendência e que exige uma segurança muito grande nos investimentos que se está a realizar. O factor mais importante é a avaliação que se faz do negócio e esse é que dever nortear a postura do Investidor em Valor nos mercados. Como afirma Warren Buffett: “Não precisamos de ser mais espertos do que o resto. Apenas temos de ser mais disciplinados”.
“O mercado bolsista está cheio de indivíduos que sabem o preço de tudo mas não sabem o valor de nada.” - Philip Fisher
Outro dos históricos Investidores em Valor foi Philip Fisher, autor de “Common Stocks and Uncommon Profits”. Fisher valorizou imensamente o trabalho meticuloso de análise, não só quantitativo (crescimento de resultados, de vendas, avaliação de rentabilidades, de balanços, etc) mas também qualitativo (qualidade da gestão, dos processos operacionais, etc), com o objectivo de aferir a posição competitiva da empresa. A detecção de negócios que demonstrem possuir vantagens comparativas em relação à concorrência, seja devida a uma marca muito forte, uma estrutura de custos muito baixa ou um modelo de negócio protegido, permite uma avaliação de resultados futuros com maior segurança na medida em que a posição competitiva da empresa a isola dos seus competidores tornando menos provável uma erosão do seu negócio. Estes são, de facto, os melhores negócios, embora, não se encontrem disponíveis, na maior parte do tempo, a preços baixos. No entanto, uma postura de longo prazo aliada a um excelente negócio com boas perspectivas de crescimento futuro, possui imenso valor, pelo que existem oportunidades de investimento, a preços razoáveis e com uma margem de segurança aceitável. Esta constatação levou Warren Buffett a evoluir o seu processo de investimento passando a focar-se na selecção de empresas de excelência, afirmando: “Prefiro comprar excelentes empresas a preços razoáveis que empresas razoáveis a preços excelentes”.
“O futuro nunca é claro e paga-se um preço muito elevado por um consenso alargado. Aliás, a Incerteza é amiga do investidor de longo prazo.” - Warren Buffett
As melhores oportunidades de investimento têm sempre algum problema aliado. Pode ser um problema específico da empresa (ex: resultados trimestrais abaixo das expectativas), pode ser um problema do sector (ex: aumento dos custos de matérias-primas) ou então um problema do mercado em geral (ex: uma recessão), mas existirá sempre algo que faz com que a acção se deprima. Cabe ao Investidor em Valor detectar essas oportunidades, analisá-las, determinar se houve, de facto, uma reacção exagerada do mercado e se existe margem de segurança para o investimento a prazo, e aproveitar as oportunidades.
Numa altura em que a Incerteza em relação ao futuro do mercado de acções é reinante, mas em que existem excelentes oportunidades de investimento em empresas de grande qualidade e com boas perspectivas de crescimento futuro, foi o próprio Warren Buffett que afirmou, no passado dia 20 de Janeiro de 2010 em entrevista à CNBC: “Eu não sei onde o mercado vai estar amanhã ou dentro de uma semana, um mês ou um ano. Sei, no entanto, que se tivesse à escolha manter dinheiro em caixa ou em obrigações a 30 anos ou em acções, não hesitaria um segundo em escolher acções. O mercado já subiu um bom bocado desde Março, mas ainda está muito abaixo de onde estava há três ou quatro anos. Se eu fosse comprar uma quinta da qual serei o dono durante os próximos 50 anos e alguém me dissesse, com grande grau de certeza, que este vai ser um ano terrível em termos meteorológicos, eu não diria “então só vou pagar $1.100 por acre, mas, se me fizer uma previsão favorável, pagarei $1.500!”. Tenho de aceitar que terei alguns anos horríveis em termos de tempo. Mas também terei muitos anos bons e alguns anos excelentes. Penso que a ideia de que podemos temporizar os investimentos com base no que achamos que o negócio vai fazer no próximo ano ou dois, é o pior erro que os investidores podem cometer porque a incerteza existe sempre. As pessoas dizem que esta é uma altura de incertezas. Também era uma altura de incerteza em 10 de Setembro de 2001, as pessoas é que não o sabiam. Todos os dias são incertos. Portanto temos que tomar a incerteza com uma parte integrante do investimento. Mas a incerteza pode ser nossa amiga. Quero dizer, quando as pessoas estão assustadas, pagam menos pelas coisas. Devemos tentar encontrar o melhor preço e não tentar adivinhar a direcção do mercado. E, em termos de preço, hoje prefiro investir em acções…”
Disclaimer: Este comentário consiste unicamente numa opinião do autor e nunca uma recomendação de compra ou venda. As compras e as vendas são da responsabilidade do investidor, bem como os lucros ou as perdas daí resultantes. Em caso de dúvida, o investidor deverá procurar contactar um intermediário financeiro, a Euronext ou a CMVM.
Hugo Roque
“Um investimento é uma operação que, após avaliação cuidada, garante a segurança do capital e um retorno satisfatório. Operações que não cumpram estes requisitos são especulativas.” - Benjamin Graham
Há 76 anos, em 1934, foi publicado o livro de referência para a filosofia de Investimento em Valor: “Security Analysis”. Na ressaca da grande depressão dos anos 30, Benjamin Graham e o seu colega David Dodd lançaram as fundações de uma nova postura de investimento, baseada na análise, na protecção do capital, na procura de bons retornos a prazo e independente do comportamento dos mercados. Qualquer comportamento que fuja destas matrizes deverá ser considerado especulativo e estará sujeito aos movimentos imprevisíveis dos mercados.
“Confrontado com o desafio de divulgar o segredo do investimento seguro em três palavras, arrisco o lema: Margem de Segurança.” - Benjamin Graham
Em 1949, foi publicado “The Intelligent Investor”, também de Benjamin Graham, desta vez destinado ao investidor particular e que captaria a atenção de um jovem ávido de sabedoria de investimento: Warren Buffett, o norte-americano considerado o melhor investidor de todos os tempos. Este viria a frequentar o curso que Graham leccionava na Columbia University e a trabalhar para ele durante alguns anos. A filosofia de Investimento em Valor ficou para sempre marcada no ADN de Buffett que, ainda hoje, considera “The Intelligent Investor” como a “Bíblia” do Investimento em Valor. Destaque especial merece o Capítulo 8, onde Graham descreve a ideia de Margem de Segurança: todo o investidor, tendo presente o objectivo da preservação do capital, deve procurar em todos os seus investimentos, uma diferença razoável entre o valor que atribui ao negócio e o preço a que o pode adquirir, de forma a proteger-se caso ocorra algum acontecimento desfavorável e a potenciar o seu investimento caso a sua análise se confirme. Nas palavras de Buffett: “Nunca dependa de uma boa venda. Obtenha um preço de compra tão atractivo que até uma venda medíocre produza bons resultados”.
“No curto prazo, os mercados funcionam com uma máquina de contagem de votos, mas no longo prazo os mercados comportam-se como uma balança.” - Benjamin Graham
Segundo Graham, no curto prazo os mercados são influenciados por muitos factores pontuais tais como: resultados trimestrais das empresas, dados macroeconómicos ou acontecimentos políticos, que causam grandes variações nos preços das acções que, muitas vezes, não se justificam. É normal que os mercados reajam exageradamente aos factores acima descritos. Cabe ao Investidor em Valor, no entanto, ponderar, com base na sua análise, se as consequentes variações são justificadas ou não. A prazo, o Investidor em Valor acredita que os mercados acabarão por compreender o verdadeiro valor das empresas e esse acabará por transparecer nas respectivas cotações dos negócios em que investe.
“Tenha medo quando os outros são gananciosos e seja ganancioso quando os outros têm medo.” - Warren Buffett
A filosofia de Investimento em Valor vai contra muitas ideias pré-concebidas que as pessoas têm acerca da Bolsa. Em primeiro lugar, como já falámos, não se trata de um jogo, mas sim de um investimento. Depois, o objectivo não é seguir tendências de mercado. Antes pelo contrário. É muito mais fácil encontrar valor, ou seja, um investimento com potencial de valorização e barato, quando o pânico está instalado e todos estão a vender independentemente do valor real dos activos que estão a liquidar. Pelo contrário, quando os mercados ficam demasiado eufóricos e a única tendência que parece haver é de subida, é a altura de ficar preocupado e de pensar em fechar posições. Trata-se de uma postura contra-tendência e que exige uma segurança muito grande nos investimentos que se está a realizar. O factor mais importante é a avaliação que se faz do negócio e esse é que dever nortear a postura do Investidor em Valor nos mercados. Como afirma Warren Buffett: “Não precisamos de ser mais espertos do que o resto. Apenas temos de ser mais disciplinados”.
“O mercado bolsista está cheio de indivíduos que sabem o preço de tudo mas não sabem o valor de nada.” - Philip Fisher
Outro dos históricos Investidores em Valor foi Philip Fisher, autor de “Common Stocks and Uncommon Profits”. Fisher valorizou imensamente o trabalho meticuloso de análise, não só quantitativo (crescimento de resultados, de vendas, avaliação de rentabilidades, de balanços, etc) mas também qualitativo (qualidade da gestão, dos processos operacionais, etc), com o objectivo de aferir a posição competitiva da empresa. A detecção de negócios que demonstrem possuir vantagens comparativas em relação à concorrência, seja devida a uma marca muito forte, uma estrutura de custos muito baixa ou um modelo de negócio protegido, permite uma avaliação de resultados futuros com maior segurança na medida em que a posição competitiva da empresa a isola dos seus competidores tornando menos provável uma erosão do seu negócio. Estes são, de facto, os melhores negócios, embora, não se encontrem disponíveis, na maior parte do tempo, a preços baixos. No entanto, uma postura de longo prazo aliada a um excelente negócio com boas perspectivas de crescimento futuro, possui imenso valor, pelo que existem oportunidades de investimento, a preços razoáveis e com uma margem de segurança aceitável. Esta constatação levou Warren Buffett a evoluir o seu processo de investimento passando a focar-se na selecção de empresas de excelência, afirmando: “Prefiro comprar excelentes empresas a preços razoáveis que empresas razoáveis a preços excelentes”.
“O futuro nunca é claro e paga-se um preço muito elevado por um consenso alargado. Aliás, a Incerteza é amiga do investidor de longo prazo.” - Warren Buffett
As melhores oportunidades de investimento têm sempre algum problema aliado. Pode ser um problema específico da empresa (ex: resultados trimestrais abaixo das expectativas), pode ser um problema do sector (ex: aumento dos custos de matérias-primas) ou então um problema do mercado em geral (ex: uma recessão), mas existirá sempre algo que faz com que a acção se deprima. Cabe ao Investidor em Valor detectar essas oportunidades, analisá-las, determinar se houve, de facto, uma reacção exagerada do mercado e se existe margem de segurança para o investimento a prazo, e aproveitar as oportunidades.
Numa altura em que a Incerteza em relação ao futuro do mercado de acções é reinante, mas em que existem excelentes oportunidades de investimento em empresas de grande qualidade e com boas perspectivas de crescimento futuro, foi o próprio Warren Buffett que afirmou, no passado dia 20 de Janeiro de 2010 em entrevista à CNBC: “Eu não sei onde o mercado vai estar amanhã ou dentro de uma semana, um mês ou um ano. Sei, no entanto, que se tivesse à escolha manter dinheiro em caixa ou em obrigações a 30 anos ou em acções, não hesitaria um segundo em escolher acções. O mercado já subiu um bom bocado desde Março, mas ainda está muito abaixo de onde estava há três ou quatro anos. Se eu fosse comprar uma quinta da qual serei o dono durante os próximos 50 anos e alguém me dissesse, com grande grau de certeza, que este vai ser um ano terrível em termos meteorológicos, eu não diria “então só vou pagar $1.100 por acre, mas, se me fizer uma previsão favorável, pagarei $1.500!”. Tenho de aceitar que terei alguns anos horríveis em termos de tempo. Mas também terei muitos anos bons e alguns anos excelentes. Penso que a ideia de que podemos temporizar os investimentos com base no que achamos que o negócio vai fazer no próximo ano ou dois, é o pior erro que os investidores podem cometer porque a incerteza existe sempre. As pessoas dizem que esta é uma altura de incertezas. Também era uma altura de incerteza em 10 de Setembro de 2001, as pessoas é que não o sabiam. Todos os dias são incertos. Portanto temos que tomar a incerteza com uma parte integrante do investimento. Mas a incerteza pode ser nossa amiga. Quero dizer, quando as pessoas estão assustadas, pagam menos pelas coisas. Devemos tentar encontrar o melhor preço e não tentar adivinhar a direcção do mercado. E, em termos de preço, hoje prefiro investir em acções…”
Disclaimer: Este comentário consiste unicamente numa opinião do autor e nunca uma recomendação de compra ou venda. As compras e as vendas são da responsabilidade do investidor, bem como os lucros ou as perdas daí resultantes. Em caso de dúvida, o investidor deverá procurar contactar um intermediário financeiro, a Euronext ou a CMVM.
Hugo Roque
terça-feira, dezembro 22, 2009
Wells Fargo
Três dos maiores bancos norte-americanos vão devolver ao governo americano as ajudas recebidas em plena crise financeira de 2008 que contribuíram para estabilizar um sistema financeiro extremamente frágil e em risco de sucumbir perante a falta de confiança dos agentes económicos. A iniciativa foi do Banc of America, mas rapidamente se juntaram o Citigroup e Wells Fargo, com objectivo de se soltarem das rédeas do estado às quais estavam sujeitos. O sinal transmitido aos mercados foi mais um a confirmar a tendência de estabilização do sistema financeiro e a confirmação de que estão criadas condições, pelo menos operacionais, para o seu regular funcionamento autónomo. A nível regulatório, para o sector bancário, são de esperar novidades em 2010, estando neste momento a ser discutida no congresso e senado a possibilidade de aprovar uma lei que separe a banca de investimento da banca de retalho (seria o ressurgir da lei Glass-Steagall que havia sido abolida em 1999), bem a criação de um supervisor único para as instituições bancárias. A nível económico, a banca deverá ainda de ter de suportar uma recuperação que se prevê que seja lenta, embora começando a gerar alguns sinais óptimistas, por exemplo dos sectores do imobiliário ou retalho, mas que ainda não se reflectem em indicadores fundamentais como a taxa de desemprego.
Wells Fargo & Co
Pressionado pela decisão do Banc of America e Citigroup de devolverem as ajudas recebidas ao estado, o Wells Fargo foi “forçado” a tomar o mesmo caminho, apesar de, anteriormente, sempre afirmar que desejaria devolver o capital ao estado de uma forma que não prejudicasse o accionista. No entanto, tal não foi possível e o Wells Fargo teve de fazer um aumento de capital de cerca de 12,25 mil milhões de dólares por forma a dispor de fundos suficientes para poder pagar os 25 mil milhões de dólares que foram injectados no banco, por intermédio do TARP, o programa de estabilização do sistema financeiro elaborado pelo governo. No entanto, esta operação foi a mais bem conseguida de entre os três bancos, com o accionista a sofrer uma diluição de apenas cerca de 3% e com o banco a conseguir manter a robustez e solvabilidade do seu balanço.
O Wells Fargo opera no mercado americano com uma estratégia e posicionamento de mercado muito simples: construir relações duradouras com os seus clientes com ponderação meticulosa da qualidade dos seus créditos concedidos. Tal permite ao banco exibir todos os anos as melhores rentabilidades do mercado. A imagem de solidez do banco torna-o muito atractivo para o investidor aforrador permitindo ao Wells Fargo usufruir de uma base de depósitos com custos muito baixos (cerca de 26% dos seus depósitos não são sequer remunerados). O banco apresenta uma margem de juros líquida de 4.9% de 2003 a 2008 e uma taxa de retorno média do capital próprio de 19%. A estratégia passa por colocar à disposição dos clientes pacotes de produtos que permitam sustentar relações comerciais de longo prazo. Em média, no Wells Fargo, cada cliente usufrui de 5.9 produtos oferecidos pela sua rede bancária.
O Wells Fargo foi um dos bancos menos afectados pela recente crise financeira mundial que afectou fatalmente algumas das maiores instituições financeiras mundiais como a Bear Sterns ou a Lehman Brothers. A crise atacou principalmente os bancos que estavam pior posicionados em termos da qualidade dos seus créditos concedidos e que não sustentaram o rebentar de uma bolha do mercado imobiliário americano. O Wells Fargo provou novamente, nesta crise, a qualidade da sua gestão e dos activos que detém no seu balanço, reforçando a confiança que os seus clientes depositam na instituição. O banco aproveitou igualmente um tempo de verdadeiro tumulto financeiro para a realização de um negócio que vai marcar decisivamente o seu futuro: a compra do quase falido Wachovia. Por 15 mil mihões de dólares, o Wells Fargo absorveu mais de 600 mil milhões de activos, mais que dobrando os valores totais dos seus activos em balanço, e tornando no 4º maior banco norte-americano com 6600 agências no país. O Wells Fargo pretende transportar a sua filosofia, estratégia e critérios de concessão de crédito para os funcionários oriundos do Wachovia, com o objectivo de continuar a ser uma referência de solidez para os seus clientes. Programas de fusão de divisões e de redução de custos estão também previstos por forma a potenciar sinergias e contribuir para um aumento da eficiência do banco.
Para a banca em geral o grande problema continuam a ser os prejuízos resultantes do incumprimento de créditos concedidos. O Wells Fargo também não é excepção continuando a demonstrar perdas em 2.5% do total dos empréstimos concedidos. Valores historicamente elevados para o banco mas consideravelmente inferiores à média actual da indústria. A estimativa é a de que os prejuízos continuem até que a taxa de desemprego inicie a sua redução, algo que poderá começar no segundo semestre de 2010.
A Berkshire Hathaway, o conglomerado do 2º homem mais rico do mundo – Warren Buffett, é o maior accionista do banco com 6.71% (já detém participação no banco desde o início dos anos 90, altura da penúltima grande crise bancária americana) tendo aproveitado a recente crise para aumentar a sua posição.
Um excelente banco, com uma excelente gestão, focado na criação de valor para o accionista a prazo e com uma grande aquisição para absorver. Para o Wells Fargo, a crise pode ter sido a verdadeira oportunidade para provarem o seu valor ao mercado.
Disclaimer: Este comentário consiste unicamente numa opinião do autor e nunca uma recomendação de compra ou venda. As compras e as vendas são da responsabilidade do investidor, bem como os lucros ou as perdas daí resultantes. O Autor pode ter, e provavelmente tem, posições nos títulos referidos. Em caso de dúvida, o investidor deverá procurar contactar um intermediário financeiro, a Euronext ou a CMVM.
Hugo Roque
Wells Fargo & Co
Pressionado pela decisão do Banc of America e Citigroup de devolverem as ajudas recebidas ao estado, o Wells Fargo foi “forçado” a tomar o mesmo caminho, apesar de, anteriormente, sempre afirmar que desejaria devolver o capital ao estado de uma forma que não prejudicasse o accionista. No entanto, tal não foi possível e o Wells Fargo teve de fazer um aumento de capital de cerca de 12,25 mil milhões de dólares por forma a dispor de fundos suficientes para poder pagar os 25 mil milhões de dólares que foram injectados no banco, por intermédio do TARP, o programa de estabilização do sistema financeiro elaborado pelo governo. No entanto, esta operação foi a mais bem conseguida de entre os três bancos, com o accionista a sofrer uma diluição de apenas cerca de 3% e com o banco a conseguir manter a robustez e solvabilidade do seu balanço.
O Wells Fargo opera no mercado americano com uma estratégia e posicionamento de mercado muito simples: construir relações duradouras com os seus clientes com ponderação meticulosa da qualidade dos seus créditos concedidos. Tal permite ao banco exibir todos os anos as melhores rentabilidades do mercado. A imagem de solidez do banco torna-o muito atractivo para o investidor aforrador permitindo ao Wells Fargo usufruir de uma base de depósitos com custos muito baixos (cerca de 26% dos seus depósitos não são sequer remunerados). O banco apresenta uma margem de juros líquida de 4.9% de 2003 a 2008 e uma taxa de retorno média do capital próprio de 19%. A estratégia passa por colocar à disposição dos clientes pacotes de produtos que permitam sustentar relações comerciais de longo prazo. Em média, no Wells Fargo, cada cliente usufrui de 5.9 produtos oferecidos pela sua rede bancária.
O Wells Fargo foi um dos bancos menos afectados pela recente crise financeira mundial que afectou fatalmente algumas das maiores instituições financeiras mundiais como a Bear Sterns ou a Lehman Brothers. A crise atacou principalmente os bancos que estavam pior posicionados em termos da qualidade dos seus créditos concedidos e que não sustentaram o rebentar de uma bolha do mercado imobiliário americano. O Wells Fargo provou novamente, nesta crise, a qualidade da sua gestão e dos activos que detém no seu balanço, reforçando a confiança que os seus clientes depositam na instituição. O banco aproveitou igualmente um tempo de verdadeiro tumulto financeiro para a realização de um negócio que vai marcar decisivamente o seu futuro: a compra do quase falido Wachovia. Por 15 mil mihões de dólares, o Wells Fargo absorveu mais de 600 mil milhões de activos, mais que dobrando os valores totais dos seus activos em balanço, e tornando no 4º maior banco norte-americano com 6600 agências no país. O Wells Fargo pretende transportar a sua filosofia, estratégia e critérios de concessão de crédito para os funcionários oriundos do Wachovia, com o objectivo de continuar a ser uma referência de solidez para os seus clientes. Programas de fusão de divisões e de redução de custos estão também previstos por forma a potenciar sinergias e contribuir para um aumento da eficiência do banco.
Para a banca em geral o grande problema continuam a ser os prejuízos resultantes do incumprimento de créditos concedidos. O Wells Fargo também não é excepção continuando a demonstrar perdas em 2.5% do total dos empréstimos concedidos. Valores historicamente elevados para o banco mas consideravelmente inferiores à média actual da indústria. A estimativa é a de que os prejuízos continuem até que a taxa de desemprego inicie a sua redução, algo que poderá começar no segundo semestre de 2010.
A Berkshire Hathaway, o conglomerado do 2º homem mais rico do mundo – Warren Buffett, é o maior accionista do banco com 6.71% (já detém participação no banco desde o início dos anos 90, altura da penúltima grande crise bancária americana) tendo aproveitado a recente crise para aumentar a sua posição.
Um excelente banco, com uma excelente gestão, focado na criação de valor para o accionista a prazo e com uma grande aquisição para absorver. Para o Wells Fargo, a crise pode ter sido a verdadeira oportunidade para provarem o seu valor ao mercado.
Disclaimer: Este comentário consiste unicamente numa opinião do autor e nunca uma recomendação de compra ou venda. As compras e as vendas são da responsabilidade do investidor, bem como os lucros ou as perdas daí resultantes. O Autor pode ter, e provavelmente tem, posições nos títulos referidos. Em caso de dúvida, o investidor deverá procurar contactar um intermediário financeiro, a Euronext ou a CMVM.
Hugo Roque
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