segunda-feira, abril 19, 2010

Western Union

A Western Union oferece aos seus clientes serviços de transferências de dinheiro nacional e internacional através de sua rede global de mais de 400.000 agentes externos. Trata-se da maior empresa de transferência de dinheiro do mundo, com quase 20% de quota de mercado do volume total das remessas internacionais, e uma das duas únicas empresas no mundo com uma rede de agentes verdadeiramente global. Empresa com mais de 150 anos, a Western Union tem as suas origens na antiga actividade de envio e recepção de telegramas. A expansão e evolução natural da empresa levou-a a entrar, com excelentes resultados, no negócio das transferências electrónicas de dinheiro. Uma indústria em claro crescimento, oportunidades de mercado evidentes e vantagens competitivas consideráveis, posicionam a empresa numa trajectória de sucesso para o longo prazo.

Cerca de 200 milhões de pessoas vivem fora do seu país de origem, e o crescimento contínuo da população imigrante mundial tem impulsionado o crescimento do mercado de transferência de dinheiro em cerca de 8% ao ano. Em primeiro lugar, devido ao fluxo de imigrantes de países pobres para ricos, em busca de melhores oportunidades. Quando esses imigrantes deixam os seus países de origem, muitas vezes eles deixam para trás os membros da família que precisam de apoio. Para enviar dinheiro para casa, frequentemente usam transmissores de dinheiro como a Western Union, com as redes de agentes externos que podem recolher e distribuir dinheiro em todo o mundo.

A Western Union é a empresa claramente líder, numa indústria onde a dimensão confere vantagens significativas. O negócio de transferências de dinheiro goza de economias de escala, pois os custos de processamento de transacções adicionais são mínimos. Isso dá à Western Union uma vantagem de custo significativa em relação aos seus rivais, e as suas margens operacionais são mais do dobro das dos seus concorrentes mais próximos. Além disso, a sua rede de mais de 400.000 agentes criam um efeito de rede relevante, já que cada novo agente torna a rede progressivamente mais conveniente para os clientes. Para além disso, a marca Western Union é a mais reconhecida na indústria e a dimensão da empresa permite-lhe investir significativamente com o objectivo de manter essa vantagem. Em Portugal a empresa encontra-se representada nas agências dos CTT, do Millennium BCP e da Caixa de Crédito Agrícola.

No entanto, a Western Union pode expandir a sua posição, já dominante na indústria, já que processa quase 5 vezes mais operações do que a sua concorrente mais próxima, a MoneyGram, mas tem uma quota de mercado inferior a 20%. Isso deixa a empresa com muito espaço para crescer, enquanto o sector se consolida. A empresa está a usar activamente as suas vantagens relativamente a custos para apresentar preços mais competitivos aos seus clientes, deixando para trás concorrentes menores. Além disso, existem oportunidades substanciais de crescimento em mercados em que a Western Union tem ainda muito pouca presença. Por exemplo, a Western Union estima que a região Ásia-Pacífico região seja responsável por 19% do mercado global de transferências de dinheiro, mas a empresa conta nesta zona com apenas 9% das receitas da empresa. A empresa já demonstrou que pode ser bem sucedida na expansão nesses mercados, tendo, por exemplo, aumentado a suas vendas na Índia por um factor de 6 vezes, ao longo dos últimos cinco anos. Desde que se tornou uma empresa independente, a Western Union tem também procurado novas formas de negócio, tais como pagamentos de empresa para empresa, para rentabilizar ainda mais a sua rede. Apesar de novos serviços levarem tempo para se assumirem com fontes de receitas significativas, com mais de 4 mil milhões de pessoas em todo o mundo sem conta bancária ou com serviços bancários marginais, a rede global da Western Union poderá ter possibilidades inesgotáveis.

O negócio da Western Union caracteriza-se pela sua forte produção de cash flows, ao mesmo tempo que as suas necessidades de investimento para manutenção da sua estrutura são mínimas. O custo da adição de novos agentes vai pouco mais além do custo da colocação do sinal da Western Union na janela do agente, e o cash flow da empresa, que já se cifra em 22% das das vendas (em 2009), deve aumentar no longo prazo. A situação financeira da Western Union é bastante sólida. A empresa terminou o ano de 2009 com cerca de 1,4 mil milhões de dólares de dívida líquida, um valor não muito superior ao seu cash flow anual. A gestão da empresa pretende manter o seu nível de endividamento actual, dedicando os cash flows gerados para a recompra de acções, dividendos e para aquisições.

A Western Union não tem, no entanto, ficado imune à recessão global. Menos emprego significa menos dinheiro para enviar para casa, e oportunidades mais limitadas de emprego no estrangeiro significa que um maior número de imigrantes potenciais poderão manter-se em casa. Por outro lado, embora os clientes da Western Union tendam a continuar a usar os serviços de transferências de dinheiro, eles estão a transferir menos por transacção, o que pressiona as receitas da empresa. O crescimento será difícil de atingir enquanto o mercado de trabalho não melhorar. No entanto, a Western Union, com o seu modelo de negócio extremamente rentável e um balanço estável, será um claro sobrevivente do seu sector e deverá sair desta grave conjuntura económica mais forte do que nunca, com os seus concorrentes menos rentáveis a sofrerem provavelmente muito mais. A cotação da empresa traduz um PER (Price Earnings Ratio – a relação do preço com os lucros que a empresa gera anualmente) de cerca de 13, o que historicamente é um valor bastante conservador devendo providenciar para o investidor em valor, a prazo, uma excelente rentabilidade do investimento.

Disclaimer: Este comentário consiste unicamente numa opinião do autor e nunca uma recomendação de compra ou venda. As compras e as vendas são da responsabilidade do investidor, bem como os lucros ou as perdas daí resultantes. O Autor pode ter, e provavelmente tem, posições nos títulos referidos. Em caso de dúvida, o investidor deverá procurar contactar um intermediário financeiro, a Euronext ou a CMVM.

Hugo Roque

segunda-feira, abril 05, 2010

O Temperamento do Investidor

Ninguém toma más decisões intencionalmente. No entanto, elas acontecem inúmeras vezes. Na verdade, alguns dos maiores desastres da história económica recente – a queda de grandes bancos de investimento e o colapso financeiro mundial – foram o resultado de decisões aparentemente razoáveis tomadas por pessoas inteligentes. Como foi isto possível?

O processo correcto para se decidir bem, especialmente quando as decisões são de extrema complexidade e importância, entra em conflito directo com a forma como a nossa mente funciona naturalmente. Quando confrontados com situações complicadas, os nossos cérebros tendem a reverter para padrões excessivamente simplificados que obscurecem melhores abordagens para esses problemas. Mesmo quando achamos que estamos a aplicar a lógica e a razão, nós estamos, subconscientemente, a render-nos a influências sociais ou situacionais. O ramo da Economia das Finanças Comportamentais (Behavioral Finance) estuda como muitas destas limitações afectam negativamente as decisões teóricas óptimas dos agentes económicos, tornando-os indivíduos, não tanto racionais, mas racionalizantes. Aplicadas à actividade de investimento, as suas conclusões são extremamente valiosas e de grande utilidade para o investidor em valor.

O investimento não é um jogo onde o individuo com um QI de 160 bate o indivíduo com 130… Possuindo inteligência normal, o que o investidor necessita é do temperamento certo para controlar os instintos naturais que levam a que outros investidores tenham problemas com os seus investimentos”. Warren Buffett

Excesso de Confiança

Múltiplas sondagens sobre os mais variados temas demonstram que os seres humanos possuem por natureza excesso de confiança. A maior parte das pessoas acha que conduz melhor que a generalidade dos condutores, que são capazes de prever com facilidade o tempo necessário para a conclusão de determinado projecto de investimento, que o seu negócio tem maiores hipóteses de sobreviver que o do seu concorrente. As estatísticas demonstram que estas crenças são infundadas e podem levar a decisões erradas. O excesso de confiança, traduzido pelas ilusões de superioridade, de optimismo e de controlo, quando aplicado ao investimento, pode conduzir a: investimentos em áreas fora do nosso círculo de competências onde não possuímos experiência e conhecimentos suficientes; a um endividamento excessivo que pode colocar em causa os investimentos; ou a um excesso de negócios (trading) e ao consequente aumento dos custos de negociação.

Comportamento em “Rebanho”

Quando um grupo de pessoas é confrontado com um problema e chega a uma conclusão que não é do consenso geral, e mesmo quando essa minoria sabe que essa conclusão é errada, tende a suportar a mesma ideia do grupo para não ficar na desconfortável situação de ter uma opinião contrária. Os mercados estão sujeitos às emoções mais primárias da espécie humana, como o medo e a ganância, e em situações extremas, e quando reforçadas por condições de incerteza e ignorância, a tendência natural dos investidores é para se seguir cegamente o que toda a gente está a fazer, independentemente da racionalidade económica desse comportamento. Vários estudos confirmam esta ideia. Por exemplo, de 1984 a 1995, a média de retornos dos fundos de investimento americanos foi de 12.3% (contra 15.4% do S&P500, o índice de referência). No entanto, o investidor médio destes fundos apenas conseguiu obter uma rentabilidade de 6.3%. Ou seja, isto significa que nestes 12 anos o investidor em fundos de investimento poderia ter ganho 2 vezes mais se simplesmente mantivesse o seu investimento nesses fundos e quase 3 vezes mais se o mantivesse num fundo representativo do índice de referência. No entanto, o medo e a ganância levaram a que o investidor destes fundos os comprasse e vendesse nas piores alturas, precisamente quando deveria ter a atitude contrária.

Aversão a Perdas

As pessoas sentem a dor da perda financeira duas vezes mais do que o prazer de um ganho equivalente. Por exemplo, foi apresentado um jogo a dois grupos de pessoas, um de pessoas com cérebros normais e outro de pessoas com problemas cerebrais que as tornaram menos sujeitas a este género de emoções. A cada indivíduo é atribuído um capital inicial de 20$ e a liberdade para jogar um “jogo da moeda ao ar”. Cada jogo custaria 1$ e saísse cara perderia o valor correspondente ao custo do jogo e se saísse coroa ganharia 2.5$ (depois do custo). As pessoas com problemas cerebrais jogaram 84% das vezes, enquanto que as pessoas com cérebros normais jogaram 63%. O medo das perdas e o nosso ego faz-nos vender boas ideias de investimento demasiado cedo ou manter investimentos perdedores por muito tempo.

Amplificação de Eventos Recentes

A maior parte das pessoas tem a tendência para amplificar exageradamente o significado das experiências recentemente vividas. Por um lado, porque são os acontecimentos que se lembram mais facilmente, mas por outro, porque vivenciaram de pertos as consequências desses eventos. Qualquer indivíduo tem facilidade em detectar padrões com base em informação recente extremamente limitada ou em se deixar prender por convicções de curto-prazo de questionável racionalidade ou ainda de se precipitar para conclusões que não são de tão clara decisão. Por exemplo, qualquer investidor é facilmente influenciável por determinado padrão recente de resultados líquidos de uma empresa, ou inúmeras vezes fica à espera de determinado preço de compra ou de venda porque esse preço foi atingido recentemente ou ainda é conduzido para decisões de investimento influenciado pelo que leu num fórum de investimento e que foi confirmado pela performance positiva do activo em questão nesse dia. Toma-se maior atenção a notícias que confirmam a nossa ideia de investimento do que àquelas que a contrariam. Outras consequências da amplificação das experiências recentes resultam da forma como se lida com os resultados das nossas decisões de investimento. Se por um lado existe uma tendência para a apropriação excessiva de bons resultados obtidos no curto prazo como consequência de eventuais capacidades acima da média, por outro, quando os resultados são maus, são amplificados outros motivos menores para os justificar.

O investidor em valor, como indivíduo que tendencialmente se posiciona contra a maioria do mercado, deve contar no seu processo de investimento com estas limitações sérias e naturais do cérebro humano. Deve ser humilde, ter espírito de abertura, aprender com os erros e ter em atenção que: experiências passadas e os seus resultados são instrumentos válidos de análise; a procura e exploração do potencial resultado de opiniões contrárias à sua, ajudam a uma melhor clarificação das ideias base; não se deve simplificar exageradamente problemas que são intrinsecamente complexos; a influência que outros possam ter sobre ele é um condicionador relevante; se deve perceber quando realmente se deve confiar nos supostos especialistas e quando não o fazer; quando os factos mudam, se deve rever também as opiniões.

Disclaimer: Este comentário consiste unicamente numa opinião do autor e nunca uma recomendação de compra ou venda. As compras e as vendas são da responsabilidade do investidor, bem como os lucros ou as perdas daí resultantes. Em caso de dúvida, o investidor deverá procurar contactar um intermediário financeiro, a Euronext ou a CMVM.

Hugo Roque

quinta-feira, abril 01, 2010

Michael Mauboussin - "Think Twice"

Michael Mauboussin, the Chief Investment Strategist at Legg Mason Capital Management, a Professor at Columbia’s Business School and the author of “Think Twice: Harnessing the Power of Counterintuition,” about common investment mistakes, how to improve decision-making, and what investors can learn from the recent stock-market woes.

terça-feira, março 30, 2010

Plano Inclinado - Poupança

A importância da poupança, da redução do endividamento, do controlo da dívida do estado.

terça-feira, março 23, 2010

Confessions of a Value Investor - A Few Lessons in Behavioral Finance By Sanjay Bakshi

Uma excelente apresentação sobre Behavioral Finance, um ramo da economia que vem ganhando cada vez maior destaque, e que neste caso específico em que se debruça sobre o campo do investimento, procura demonstrar que o típico investidor é um ser não muito racional mas muito mais racionalizante, colocando em causa a teoria dos mercados eficientes e os seus pressupostos. Sem dúvida um tema muito relevante para a estratégia de qualquer investidor em valor.

Apresentação

segunda-feira, março 22, 2010

A Poupança

Nunca, como no passado recente, se discutiu tanto acerca da necessidade de poupar. Na verdade, a recente crise financeira e consequente grave recessão económica, resultante de muitos excessos dos mercados de crédito, veio contribuir para alertar os agentes económicos para uma função essencial que cumpre a todos salvaguardar: a Poupança. Velhos ditados dos nossos pais e avós provam que a sabedoria popular é sábia e realista neste aspecto da vida quotidiana: “Quem poupa, sempre tem.”, “Quem poupa o que tem, não mendiga o de ninguém.”, “No poupar é que está o ganho.”

Vários factores, exacerbados pela recente crise, contribuíram para alertar as sociedades para este desígnio cada vez mais fundamental. Desde logo, a necessidade de reduzirmos, a curto prazo, o elevado nível de endividamento (superior ao rendimento disponível, para as famílias) que havíamos incorrido recentemente como consequência de um clima geral económico estável, taxas de juro extremamente baixas e facilidades tremendas na contratação de créditos. É importante, agora, que as famílias recomponham os seus “balanços” familiares, readequando o nível de activos e proveitos que possuem para com as dívidas e despesas que suportam. Para tal deverão contribuir as condições macroeconómicas actuais, de baixa inflação e de juros reduzidos, que permitirão uma maior folga dos orçamentos familiares; as transferências do sector público para as famílias, relacionadas com o aumento automático das prestações de subsídios de desemprego e outras prestações de natureza social; também o regresso obrigatório de algum bom senso por parte dos consumidores que se estão a tornar muito mais ponderados nos seus actos de consumo, particularmente de bens de consumo duradouro; e a fundamental introdução de novas regras no sistema financeiro de forma a evitar que a ganância de alguns coloque em perigo a sustentabilidade das poupanças de todos. De acordo com o Banco de Portugal no seu Boletim Económico de Outono 2009, o aumento de algumas componentes relevantes do rendimento disponível “traduziu-se numa significativa subida da taxa de poupança em 2009, reforçando o seu ligeiro aumento verificado em 2008 e contrariando a tendência de descida ao longo da última década”.



A proporção da poupança no rendimento disponível das famílias aumentou significativamente, passando de 6,2%, em 2007, para 8,6% no final do primeiro semestre de 2009.
Fonte: INE e Banco de Portugal


A importância da Poupança é também justificada pela cada vez mais certa decadência do sistema de segurança social a longo prazo, em virtude da alteração da estrutura da pirâmide etária (aumento da idade média de vida, diminuição da natalidade e menor número de pessoas em idade activa); dos elevados défices incorridos por sucessivos governos, e agravados igualmente pela recente crise, que contribuíram para o aumento galopante da dívida do estado (estimada em 86% do PIB para o corrente ano), e que se traduzirá necessariamente e a prazo, num menor grau de liberdade por parte do orçamento do estado para suportar aumentos de prestações sociais; a fraca competitividade da economia nacional relativamente aos principais parceiros comerciais europeus mas também em relação às grandes economias emergentes, e que são concorrentes directos de muitas das nossas exportações, limita enormemente o potencial da economia e, como consequência, da saúde das contas nacionais, das famílias e do estado. Estes factores vão obrigar os contribuintes a pensarem, cada vez mais seriamente, em programas de poupança individual que compensem a já quase certa redução violenta das prestações de reforma. As reformas do sistema são recorrentes, e de acordo com estudos relativos à mais recente reforma, um cidadão que se reforme em 2050 pode ter direito a uma reforma equivalente a menos de 50% do seu ordenado.

A Poupança é importante hoje, como sempre foi, também porque faz sentido. Porque as circunstâncias da vida poderão exigir algum esforço financeiro momentâneo que não poderá ser correspondido se não constituirmos uma Poupança. Ou porque, no futuro, podemos desejar comprar ou trocar de casa, dar a oportunidade aos filhos de receberem uma boa educação ou querer manter o nosso nível de vida depois da reforma. É através da poupança que nos preparamos para enfrentar despesas futuras, previstas ou imprevistas. É um instrumento financeiro indispensável e que permite, se houver disciplina, alcançar os seus fins. No entanto, a poupança implica um plano de longo prazo para ser bem sucedido. Devemos contar com um período de tempo razoável para termos maior probabilidade de concretizar os objectivos.

Existem várias formas de poupar, mas o mais importante será perceber desde logo quais são os objectivos a cumprir a prazo, entender quanto se consegue poupar periodicamente, e ajuizar qual o melhor plano para a aplicação das poupanças, ou seja, qual a melhor combinação rentabilidade-risco que melhor se adequa ao perfil de investimento. Quanto menor o prazo para o objectivo em questão, menor o risco que se deve incorrer em termos do veículo de investimento. No entanto, quanto maior o prazo, maior a probabilidade de conseguir boas rentabilidades para as poupanças, se optar por opções de investimento mais rentáveis a prazo, como por exemplo uma carteira diversificada de acções, cuja performance a prazo em média ultrapassa todos os restantes instrumentos financeiros, e por uma filosofia de investimento disciplinada que limite os riscos, como o Investimento em Valor. Depois, é uma questão de aproveitar o potencial da capitalização de juros no longo prazo, que foi apelidada por Albert Einstein como sendo a força mais poderosa do Universo. Em baixo deixamos um pequeno quadro demonstrativo da relevância da escolha de um bom meio de investimento que seja capaz de salvaguardar, a prazo, uma boa taxa de retorno anual.



Iniciando com uma poupança de 50.000 euros, verificamos que, por exemplo, quem conseguir capitalizar o seu dinheiro a uma taxa de 15%/ano acaba no 10º ano com 184.688,51 euros, o que se pode comparar com um valor final de 60.949,72 euros para quem conseguir uma rentabilidade média anual de 2%/ano. Ou seja, uma rentabilidade mais de 12 vezes superior. Uma diferença significativa.

Disclaimer: Este comentário consiste unicamente numa opinião do autor e nunca uma recomendação de compra ou venda. As compras e as vendas são da responsabilidade do investidor, bem como os lucros ou as perdas daí resultantes. Em caso de dúvida, o investidor deverá procurar contactar um intermediário financeiro, a Euronext ou a CMVM.

Hugo Roque

sexta-feira, março 05, 2010

EDP

A EDP - Energias de Portugal, SA gera, abastece e distribui electricidade e gás em Portugal e Espanha. A empresa, através de subsidiárias, possui igualmente negócios de distribuição, produção e fornecimento de energia eléctrica no Brasil e operações de geração de energia eólica em, entre outros países, Espanha, Portugal, França, Bélgica, Estados Unidos.

A empresa apresentou os seus resultados relativos ao ano de 2009 na passada Quinta-Feira, dia 4 de Março. A Energias de Portugal anunciou que os resultados líquidos do ano passado desceram 6,2% para 1,024 mil milhões de euros. A queda dos lucros é explicada sobretudo pelo facto de em 2008 a companhia liderada por António Mexia ter obtido um ganho de capital não recorrente de 405 milhões de euros resultante da dispersão da EDP Renováveis em bolsa nesse ano. Em termos recorrentes, ou seja, excluindo ganhos os perdas extraordinários, os lucros de 2008 foram de 925 milhões de euros, pelo que no ano passado foi a primeira vez que a eléctrica obteve lucros recorrentes acima de mil milhões de euros, representando, deste modo, uma subida de 10,7%, com a empresa a beneficiar de melhorias operacionais dos seus negócios, menores custos com pagamento de juros e perdas menores em participações financeiras.

O EBITDA em termos recorrentes da EDP, ou seja, os resultados operacionais (antes de juros, impostos e amortizações), subiu 13% para 3,361 mil milhões de euros. A empresa destacou que no quarto trimestre o aumento do EBITDA foi de 19%, sendo que as actividades liberalizadas na Península Ibérica e o negócio de energia eólica foram os que mais contribuíram para a melhoria operacional no ano passado.

A actividade da EDP, em termos de resultados EBITDA, encontra-se dispersa da seguinte forma: 19% em actividades liberalizadas de energia na península ibérica; 16% no Brasil através da sua participada Energia do Brasil; 16% relativos às operações de energia eólica; 25% em actividades reguladas de energia na península ibéria; e 24% em contractos de geração de energia de longo prazo na península ibérica. Ou seja, um total de 81% dos resultados da EDP deriva de actividades reguladas, o que se traduz num carácter muito estável e previsível da sua actividade. Mais de 50% dos resultados da EDP já têm origem fora de Portugal providenciando diversificação e flexibilidade operacional à empresa.

Em termos de perspectivas de crescimento, a EDP concentra os seus investimentos na área das energias renováveis através da sua participada, a EDP Renováveis, onde detém uma posição de 75%, e que é a 4ª empresa mundial do sector. Em 2009 a empresa investiu 3,285 mil milhões de euros, dos quais 2,556 milhões foram para expansão das actividades correntes, sendo o restante investimento de manutenção. Do total dos investimentos de expansão, cerca de 83% foram direccionados para a área das renováveis, demonstrando o comprometimento da empresa para investir nesta área, nomeadamente para expansão da capacidade de produção de energia eólica (nos Estados Unidos, Espanha e na restante Europa) e de energia hídrica através da construção e expansão de barragens em Portugal. Estes investimentos possuem ainda a vantagem de se enquadrarem em áreas que têm sido e vão continuar a ser bastante apoiadas por muitos governos de países desenvolvidos. Até 2011 a EDP promete investir cerca de 3 mil milhões de euros por ano com o objectivo de reforçar decisivamente as suas posições nos mercados onde se encontra instalada.

Estes investimentos têm contribuído para o aumento da dívida de empresa que em 2009 se encontrava nos 14 mil milhões de euros tendo subido 100 milhões em relação a 2008. Apesar do investidor em valor ser avesso a elevados níveis de endividamento, e necessário ressalvar que, no caso da EDP, a empresa possui negócios geradores de cash flows regulares e de elevada previsibilidade pelo que o nível de risco de incumprimento do serviço da dívida é mais baixo, sendo traduzido por um rating de risco de crédito, por parte das principais agências de rating, de A-. A empresa possui dinheiro em caixa e equivalentes no balanço da ordem dos 2,3 mil milhões de euros e linhas de crédito também no mesmo montante. As necessidades de refinanciamento para os próximos 2 anos são mínimas, pelo que a empresa se encontra numa situação financeira bastante confortável para poder avançar com os investimentos que tem planeados.

A empresa propôs um dividendo relativo aos resultados de 2009 de €0,155 por acção o que representa um aumento de cerca de 11% em relação aos €0,14 que foram distribuídos no ano anterior. Este valor traduz-se numa taxa de dividendo bruta de cerca de 5,5%, consideravelmente superior a qualquer remuneração de qualquer depósito a prazo disponível no mercado, sujeito à mesma taxa de retenção de imposto (20%) e com o potencial de ser aumentado no futuro caso os investimentos da EDP se traduzam em maiores lucros o que pode conduzir, também, a uma valorização do capital investido por via da apreciação do valor das acções.

A cotação da EDP foi afectada na últimas semanas pelos receios que a crise da Grécia, relacionada com o elevado nível de endividamento no país, se pudesse alastrar para Portugal, e ainda pelo facto de a Iberdrola, um dos maiores accionistas individuais da EDP, ter vendido 2,7% da empresa. A cotação da empresa que se encontrava confortavelmente acima dos 3 euros caiu, chegando a fazer um mínimo em fecho de cerca de €2,68, representando um PER (a relação entre o preço a que a empresa está a cotar e os lucros que gera) de 10 vezes os resultados estimados para 2010. Por um lado, os mercados já começam a distinguir um pouco mais a situação da Grécia da situação de Portugal e o Plano de Estabilidade e Crescimento que deverá ser apresentado em breve pelo governo português deve conseguir apontar um rumo para a consolidação orçamental até 2013 e convencer as autoridades europeias. Por outro lado, a Iberdrola prontamente clarificou que a sua posição actual na EDP (6,8%) é para manter, pelo que não serão de esperar mais alterações relevantes, a curto prazo, na estrutura accionista da EDP que conta, para além da Iberdrola, com o Estado (20,49%), a Caixa Geral de Depósitos (5,24%), a Caja de Ahorros de Asturias (5,01%) e a José de Mello - SGPS (4,82%), como maiores accionistas.

Para o investidor em valor que está atento às oportunidades que o mercado lhe proporciona, esta é uma boa ocasião para se adquirir um óptimo negócio, com uma gestão bastante competente, a um preço bastante razoável, que proporciona um rendimento bastante atractivo e com boas possibilidades de valorização. A EDP é a empresa de referência nacional e tendo sido distinguida, ainda na semana passada, como a marca portuguesa mais valiosa. Segundo o estudo “Top Portuguese League Table”, da Brand Finance, a marca EDP foi avaliada em cerca de 3,3 mil milhões de euros. No ranking das 500 maiores marcas do mundo a EDP aparece na posição 192º, sendo a marca portuguesa melhor posicionada. Uma excelente marca e um excelente investimento.

Disclaimer: Este comentário consiste unicamente numa opinião do autor e nunca uma recomendação de compra ou venda. As compras e as vendas são da responsabilidade do investidor, bem como os lucros ou as perdas daí resultantes. O Autor pode ter, e provavelmente tem, posições nos títulos referidos. Em caso de dúvida, o investidor deverá procurar contactar um intermediário financeiro, a Euronext ou a CMVM.

Hugo Roque